Amanhã, às 16h será inaugurada, na Uerj, a Sala Abdias Nascimento, pelo Grupo de Estudos Tornar Ser Negro e Negra. o espaço fica no 9º andar, no Auditório 91.

16h – Exibição de Filmes. Hall do 9º andar

17h – Pré-lançamento coleção *Sankofa – Matrizes Africanas da Cultura Brasileira*.
Vol 1 – A matriz africana no mundo
Vol 2 – Cultura em movimento. Matrizes africanas e ativismo negro no Brasil
Org. Elisa Larkin Nascimento. Editora Summus – Selo Negro Edições

18h – Mesa de Abertura
Ministro Edson Santos
Abdias Nascimento
Clarissa França – Denegrir

19h – Leitura dramatizada da peça *Sortilégio – mistério negro*, de autoria de Abdias Nascimento
*Direção* Tatiana Tiburcio – com Daniela Tibau, Tatiana Tiburcio, Sidney Batista, Tatiana Henrique, Érika Ferreira, Sílvia Castro – Percussão: Seu Hélio, Alex

20h – Homenagem a Abdias Nascimento

20h30min – Inauguração da sala Abdias Nascimento – Grupo de Estudos Tornar Ser Negro e Negra
Coquetel

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Nos dias 10, 11 e 12 de setembro, o Programa de Pós-Graduação em Educação, Cultura e Comunicação nas Periferias Urbanas da Uerj fará balanço das experiências e dos avanços bem como apontar novas perspectivas de intervenção e luta pelo comprometimento da universidade com o destino da população. Mais informações pelo www.univafirmativa.uerj.br ou e-mail univ.afirmativa@uerj.br .

Neste mês de maio a abolição da escravidão no Brasil completa 120 anos, porém, ainda são grandes os problemas como o preconceito, segregação, pobreza, e as dificuldades cotidianas com que sofre a população descendente dos escravos libertos em 1988 pela Lei Áurea. Para o professor Andrelino Campos, da UERJ, autor do livro “Do quilombo à favela – A produção do ‘espaço criminalizado'”, muito ainda deve ser feito para combater a exclusão da população afro-descendente na sociedade brasileira.

 

O professor explica que o preconceito e a segregação estão interligados, mas têm características diferentes. Enquanto o primeiro faz parte de um sistema simbólico, de um imaginário, o segundo é o meio pelo qual essas idéias se materializam. Ele ressalta como é complexo o problema da segregação no Brasil, pois negros e brancos estão juntos mas ao mesmo tempo separados social e economicamente, como água e óleo.

 

Segundo Andrelino, as dificuldades encontradas pelo negro hoje são decorrentes tanto do preconceito criado no tempo da escravidão, quanto da segregação causada por este preconceito, agravados pela ausência de políticas públicas visando compensar os anos de exploração dos negros. Ele explica que o processo de abolição brasileiro têm um grande peso no quadro atual de exclusão pois nele os escravos foram libertos, mas não tiveram nenhum tipo de apoio por parte do governo, o que fez com que  muitos passassem a viver na pobreza extrema.

 

Dados do IBGE mostram que os descendentes de escravos são a grande maioria dos que se encontram em situação de maior vulnerabilidade social, devido ao precário acesso à educação, saúde, mercado de trabalho etc. “Os pretos foram os últimos a ingressarem no sistema de educação, possibilitando um atraso considerável em relação ao grupo hegemônico da sociedade. Então, não tenhamos dúvidas, para a redução da pobreza serão necessárias muitas ações de compensação social.” – alerta o professor.

 

Um dos aspectos mais visíveis da exclusão e da segregação são as favelas do Rio, cuja população é, em sua maioria, composta por descendentes de escravos. Para Andrelino, a favela é um espaço excluído, assim como eram os quilombos, vítima de uma forte repressão do estado, que trata as comunidades como “espaços criminalizados” onde todos são suspeitos até que se prove o contrário.

 

“A segregação sócio-espacial é parte visível do estigma da discriminação e do preconceito contra a população das favelas que, em sua maioria, é constituída de pretos e pardos. Desta maneira, construímos um triplo preconceito, o de “cor”, o “espacial” e de “pobreza”. Continua dura a vida de favelado, como era muito dura a vida de quilombola.” – afirma o professor.

 

Para Andrelino Campos, a única solução para o problema da segregação é a ampliação da acessibilidade através de investimentos contínuos que favoreçam a população mais pobre. Segundo ele, as favelas não são consideradas áreas prioritárias para investimentos, o que perpetua o quadro de segregação atual. O professor critica ainda programas como o favela-bairro e o PAC por serem muito pontuais e descontínuos, portanto não provocando grandes mudanças na acessibilidade da população mais pobre à meios para melhorar a vida.

 

“Não podemos esperar outros 120 anos para construir o sistema que contemple a igualdade entre todos, aguardar o devir. Ele só será melhor se no “agora” estiverem sendo tomadas ações que tenham como direção a melhoria geral da sociedade.”- conclui o professor.

 

A universidade estadual realizará o evento Negras Geografias, dia 13 de maio, em homenagem a libertação dos escravos. O objetivo da ação é destacar a contribuição dos negros nos diversos setores da realidade brasileira, os lugares percorridos em suas trajetórias de vida, além de registrar depoimentos diversos sobre  a inserção do negro na sociedade brasileira e o  significado desta data.

 

Entre as atividades propostas estão: Caminhando por Negras Geografias no Centro do Rio a Pé, Negros e Geográficos Pulsares em Certos Versos e Eternas Canções, e Negras Trajetórias.

 

Programação

9h – Caminhando por Negras Geografias no Centro do Rio a Pé: o ponto de encontro é na estação de metrô da Praça Onze. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo email roteirosgeorio@uol.com.br .

 Roteiro: Praça Onze dos bambas da Pequena África do Rio de Janeiro – Sambódromo (visita) – Terreirão do Samba/Palco João da Baiana (visita) – Escola Tia Ciata – Igreja de Santana (visita) – Campo de Santana – Rua Buenos Aires – Rua Uruguaiana – Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito (visita à ex-catedral da cidade) – Ouvidor dos acordes iniciais do carnaval de rua – Rua do Carmo – Praça XV – Paço Imperial e de Isabel de Bragança e Bourbon.

 

18h – Negros e Geográficos Pulsares em Certos Versos e Eternas Canções: tem  entrada franca e contará com execução de músicas e exibição no telão, e os respectivos comentários.

Local do evento é Uerj, Pavilhão Reitor João Lyra Filho, 1º andar, bloco F, Auditório 11.

 

19h30min – Negras Trajetórias: mesa redonda com os debatedores: 

  Vera Lúcia Couto dos Santos (Miss Brasil 1964 – 2o lugar – Miss Beleza Internacional – 3o lugar, a “mulata bossa nova” da consagrada marchinha);

   Paulo Melgaço – escritor e ex-bailarino do Theatro Municipal do Rio de Janeiro;

– Vanderli Teixeira de Faria (escrivão da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos);

  Paulo Coutinho (ator e Presidente do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Estado do Rio de Janeiro).

Local do evento é Uerj, Pavilhão Reitor João Lyra Filho, 1º andar, bloco F, Auditório 11.