Revolta negra – O episódio  teve como conseqüência a abolição dos castigos físicos na Marinha de Guerra do Brasil, uma das instituições nacionais que mais tempo demorou para se livrar das práticas escravistas. Mesmo decorridos mais de 20 anos da Abolição da Escravatura, o uso do açoite como medida disciplinar continuou sendo aplicado, por determinação da oficialidade branca, nos marinheiros, na sua esmagadora maioria negros.

 

A revolta teve início na madrugada de 23 de novembro de 1910, em resposta ao castigo de 250 chibatadas sofrido pelo marinheiro Marcelino Rodrigues de Menezes. Sob o comando de João Cândido, amotinaram-se as tripulações dos encouraçados Minas Gerais e São Paulo e também dos cruzadores Barroso e Bahia, reunindo mais de dois mil revoltosos. A cidade do Rio de Janeiro, então capital da República, foi mantida por cinco dias sob a mira de canhões. João Cândido recebeu então o apelido de “o Almirante Negro”, pela maestria com que comandou a frota em evoluções na Baía da Guanabara. O então presidente da República, Hermes da Fonseca, não encontrou saída que não fosse ceder às exigências dos marinheiros. No dia 26 de novembro, o Congresso, apressadamente, aprovou as reivindicações dos marujo s, incluindo a anistia.

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