Vazio
Há, no entanto, um silêncio da historiografia sobre a relação do escravo com a língua portuguesa. Fervilham hipóteses. Como a da professora da Faculdade de Educação da UFMG Cynthia Greive Veiga, para quem os negros tiveram participação ativa na difusão da língua portuguesa no Brasil Império. Os africanos precisavam dominar o idioma que os adaptasse à sociedade. Tal fato fez coro à oficialização do português nos tempos da Independência.

– Os registros de inspetores e professores das aulas elementares do século 19, sobre o desempenho de alunos em leitura e escrita (“sofrível”, “não sabe nada”), podem ter relação com as tensões entre um português oficial e outro misto, marcado pelos dialetos africanos.

Os sinais, desde Gilberto Freyre, abrem veio importante a investigar. Já se pode provar a distância entre ser negro e escravo, por exemplo, e de que essa distância parece passar pelo letramento. Os escravos letrados podem ter sido exceção no Brasil, como os de Minas ou os da Bahia de 1835. Mas será preciso muita pesquisa para entender a real difusão das práticas de leitura e escrita negra no Império, e a relação dos escravos com a língua portuguesa. O terreno está a explorar. Mas está dado.

Christianni Morais e os tipos de assinatura que denunciam o grau de letramento dos escravos: uma de nivel 1 (só com sinais) do alforriado Cruz de Antônio José, em 1810 (testamento, 1818, cx.06); outra de nível 2, ainda rudimentar, do alforriado João da Silva Abreu, de 1789 (testamento, 1791,cx.01) e outra de nível 3, mais completa.

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