Consciência escrita
A pesquisadora faz doutorado sobre a disseminação da escrita na região. Analisou 1.612 documentos de 1731 a 1850, relatórios do Ministério da Agricultura, testamentos, processos-crime, além de anúncios de O Astro Minas, um jornal do período. A região analisada é a Comarca do Rio das Mortes, cidade mineira escolhida pela importância econômica e cultural que teve no século 18. O recorte temporal seguiu lógica imposta pela documentação, mais abundante naqueles anos.

– A cidade exercia a função de entreposto, pois era centro de exportação dos produtos mineiros e de redistribuição das mercadorias da Corte. Possuía vida política e cultural intensa, com biblioteca pública e imprensa periódica – diz Christianni.

Para determinar os graus de letramento dos escravos, ela usou um método de análise de assinaturas a partir de escala de cinco níveis desenvolvida pelo português Justino Magalhães. O primeiro corresponde ao mero uso de siglas ou sinais; o nível 2, à assinatura ainda rudimentar, imperfeita; o 3 indica assinatura completa; o nível 4, uma caligráfica mais precisa e o 5, mais personalizada. Maior a complexidade do traçado, maior o domínio do idioma.

– Fotografo e analiso as assinaturas tendo por base a caligrafia da época. Busco perceber se a pessoa tinha traço firme, bem organizado e distribuído na folha, se conseguia fazer arabescos, ligava as letras ou tinha boa escrita cursiva, o que não era fácil na época porque os ensinos da leitura e da escrita eram dissociados. Então, se o assinante se encaixa no nível 2, provavelmente sabia ler.

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