Fonte: Afropress
Salvador – o coordenador do curso de Medicina da Universidade Federal da Bahia (UFBa), professor Natalino Dantas, 69 anos renunciou ao cargo diante da onda de indignação suscitada por declarações suas, segundo as quais, o baixo desempenho do alunos no ENADE (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes), devia-se ao “baixo QI (quociente de inteligência) dos baianos”.

Para justificar a afirmação, Dantas chegou a dizer que “o baiano toca berimbau porque só tem uma corda. Se tivesse mais [cordas], não conseguiria”.

Mesmo depois do anúncio da renúncia – diante dos protestos – e do pedido de desculpas que fez numa nota, nesta segunda-feira, as declarações desastradas do dirigente da UFBA, continuaram repercutindo.

Indignação
O presidente da Fundação Palmares, Zulu Araújo, considerou os comentários “ofensivos, discriminatórios e preconceituosos” e repudiou as declarações que, para ele “expressam não apenas uma opinião pessoal ou um deslize momentâneo, mas o pensamento, ainda vigente no Brasil, de que a presença dos afro-descendentes e sua contribuição para a formação do país é um elemento menor e negativo do ponto de vista civilizatório”.

“Quanto às cotas para negros nas universidades públicas brasileiras, a opinião preconceituosa do professor, responsabilizando os cotistas pelo baixo desempenho no ENADE, é a que tem balizado a exclusão dos negros do ensino superior no Brasil. Não há nenhuma prova, por mais tênue que seja, de que sua afirmação seja verdadeira. Pelo contrário, pesquisas, estatísticas e o desempenho dos cotistas têm apontado que o aproveitamento escolar dos estudantes cotistas tem sido igual ou superior aos não-cotistas”, afirma a nota do presidente da Fundação Palmares.

Zulu acrescenta que “a luta contra a discriminação racial, a ampliação dos mecanismos de acesso ao ensino superior para os afrodescendentes e a implementação das políticas de ações afirmativas em todos os campos do conhecimento “será a resposta mais efetiva que a sociedade baiana poderá dar a estas manifestações de preconceito e discriminação”.

O presidente da Fundação Palmares conclui a nota manifestando todo apoio e solidariedade a posição do reitor Naomar Almeida, que defendeu publicamente o afastamento de Dantas.

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