Luana Clara – Na sexta-feira foi realizado o último ciclo de palestra do seminário Samba, Patrimônio Cultural do Brasil, no Sesc de Madureira.

 

As atividades foram abertas com a exibição do documentário Matrizes do Samba do Rio de Janeiro. Após, foi realizada a terceira mesa do evento, composta por João Baptista Vargens, Tantinho, Cláudia Márcia e os mediadores Lygia Santos e Aloy Jupiara.

 

João Baptista falou sobre a transmissão do samba de geração para geração. E também aproveitou para indagar Tantinho: “Por que os homens da Portela se envolvem com as mulheres da Mangueira?”, e o compositor respondeu: “Porque elas são lindas!”. E o biógrafo continuou: “É que fiz esta pergunta a Nozinho, irmão de Natal, e ele me disse: ‘Pergunte as mulheres da Mangueira’”, concluiu.

 

Em sua palestra, Tantinho falou sobre o afastamento das comunidades das escolas de samba, e como os novos dirigentes desvalorizam ritmos tradicionais, como o samba de terreiro. “O meu interesse é na preservação do samba, das escolas em geral”, declarou o mangueirense, que com o CD “Memória em Verde e Rosa”, venceu a última edição do Prêmio Tim, na categoria melhor disco de samba.

 

Cláudia Márcia, diretora do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, explicou sobre a ampliação do foco de ação do Iphan. “Na constituição de 88, já se tem uma visão de que o patrimônio cultural é inatingível. Quando o Iphan foi criado, em 37, já se via uma possibilidade de tombar o imaterial, mas o urgente era o material, devido ao grande avanço urbano”, explica.

 

Para a palestrante, esta titulação é um reconhecer do governo, de que o bem está em outros espaços, impalpáveis, em comunidade. “No patrimônio imaterial, a intervenção do Estado não deve ser desejada, pois o grupo é detentor. Mas, (o governo) deve criar espaços para vivencia-lo”.

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