Luana Clara

 

Na segunda parte do seminário Samba, Patrimônio Cultural do Brasil entrou em cena a mesa 1, que discutiu o Samba carioca, e teve como palestrantes: Nei Lopes, Sérgio Cabral, Dulce Pandolfi  e Rachel Valença, como mediadora.

 

Da tradição africana – Nei Lopes começou a palestra tocando em um assunto polêmico: “É uma constante preocupação minha, fazer distinção entre o samba e o carnaval. Houve um momento em que os dois andaram juntos, mas, hoje, cada um seguiu seu caminho. O samba existe o ano inteiro e o carnaval é um episódio, que às vezes,  samba passa”, declarou.

Em sua palestra, explicou a etimologia e os diferentes significados da palavra samba, e a trajetória do ritmo, da bacia do Congo até nosso país. “O Brasil culturalmente é um país banto (grupo etnolingüistico localizado principalmente na África subsariana). A mais percebida é o samba”, afirma.

O compositor também falou sobre a evolução da música no cenário social: de reprimido, por ser fruto de uma cultura negra, até se virar o produto turístico que é hoje. “O coco, a embolada, tambor de criola e jongo são samba. Eles se juntaram e deram origem a canção popular, o samba, que saiu do morro e ganhou o asfalto”, explica.

Deixa falar, o samba e a escola – Sérgio Cabral falou sobre os professores do samba, compositores moradores do Estácio que inovaram o ritmo e fundaram o bloco Deixa Falar. “O bloco carnavalesco Deixa Falar, mudou o samba, que deixou de ser maxixado, e deu para pular o carnaval”, conta.

E explica que foi deste grupo, mais precisamente Ismael Silva, que criou o termo “Escola de Samba”, pois, o bloco, próximo a Escola Normal, tinha a proposta de formar professores do samba.

O jornalista também conta, que a eterna discussão sobre o que é ou não samba, vem de longe: “Perguntei a Ismael Silva e Donga, o que era samba. Ismael Silva respondeu cantando: ‘Se você jurar que me tem amor…’ (Se você jurar). Donga disse: ‘Isso é marcha!’. E cantou: ‘O Chefe da Folia/Pelo telefone manda me avisar…’ (Pelo telefone). E Ismael falou: ‘Isso é maxixe!’”.

 

Samba, organização política e social – Dulce Pandolfi, explicou que do início da república até a Revolução de 30, o negro foi deixado a margem pois, era associado ao atraso do país, por não estar no padrão étnico europeu.

 

Com a ascensão de Getúlio Vargas ao poder, as coisas começam a mudar: “Na Era Vargas, ele quer construir uma nação. A partir daí, o povo é tido como bom, para se criar este sentimento. A população brasileira é tida como mestiça, e o samba é incorporado, e passa a receber insumos do governo”.

 

Mas isso, tem um lado negativo, porque cria um falso mito de democracia racial, o que impede o surgimento de movimentos sociais para requererem seus direitos. “Quanto mais forte for a memória, mais organizado será o grupo para mantê-la e lutar por ela”, declara Dulce, referindo-se a titulação do samba como patrimônio cultural.

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